domingo, 20 de Dezembro de 2009

POEMA - LIVRO DE POEMAS DO QUIRIMBO 70

CHEIRO A TERRA MOLHADA

Nada se assemelha
Aquela terra vermelha
E ao pó que levantava
Quando a chuva caía
A paz que eu sentia
E o aroma que brotava.
Pode ser banalidade
Mas recordo com saudade
O cheiro que deitava
Era apenas terra molhada
Duma terra muito amada
Que a chuva irrigava.
Viam-se grandes clarões
Depois vinham os trovões
Que a todos amedrontava
As aves em grande banzé
Apanhavam o salalé
Assim que a chuva parava
Hoje em nossos corações
Sobram as recordações
De tudo que nos cercava.

Foram tempos tão felizes

Lá ficaram as raízes

Naquela terra que encantava.

domingo, 22 de Novembro de 2009

EXTRACTO DO LIVRO "DA SANZALA A DIPLOMATA" - (a editar)

PRETO NÃO VAI NA CABINE

Na minha memória, vejo as fortes gotas de chuva levantarem pó naquela terra vermelha abrasadora, sinto nas narinas o aroma a terra molhada e oiço ainda as fortes trovoadas e relâmpagos que rabiscavam o céu, como se fosse um menino a rabiscar traços indistintos naquela abóbada escura e imensa que metia medo. Como havia começado, também de repente se dissipava e voltava aquele sol quente que nós garotos aproveitávamos, tirando o nosso calção azul de caqui e tomando banho naqueles charcos maiores, dos muitos que havia por ali.

Mas ao lembrar-me destas coisas, também me veio à mente aquela pergunta que fiz ao meu pai quando visitei pela primeira vez a “grande” cidade e que ele ao fim de muitos rodeios, rematou com esta resposta:

- Lindinho, um dia quando você fores grande, então tu vais entender.

Íamos os dois na parte de trás do jeep do senhor Chefe de Posto que era apenas de três lugares. Como era habitual na época das chuvas, de repente, o sol escondeu-se e logo a seguir começaram a cair as tais gotas grossas de chuva que em breve se tornaram num forte aguaceiro, fazendo correr a água pelos regatos à beira da estrada.

O meu pai tirou o seu capacete “tipo colonial” e colocou-o na minha cabeça, ao mesmo tempo que se inclinava sobre mim, na vã tentativa de me proteger da chuva, enquanto ele com a sua mão teimava em sacudir a água que lhe escorria pelo queixo.

Olhava desalentado para mim todo encharcado!

Tinhamos saído de manhã bem cedo e ansiava chegar a casa para os meus colegas verem a minha roupa nova e agora...

- Pai, porque não vamos lá para dentro? - e apontava para a cabine do jeep.

- Não pode, nosso lugar é aqui. – respondeu o meu pai.

- Mas porquê pai, lá cabe nós dois, só tem o senhor Chefe.

- Chuva não mata. - Voltou ele a responder

- Mas porquê pai?

O meu pai olhou para mim, passou-me a mão pela cara tentando limpá-la da chuva e olhando para longe, respondeu devagar:

- Quando você fores grande, tu vais entender.

Fiquei um pouco desconcertado com a resposta do meu pai, pois continuava sem entender porque íamos ali todos molhados, quando havia lugar para nós na cabine do jeep.

Bem, o meu pai tinha razão e não precisei de muitos anos para realmente entender o que lhe custava tanto a dizer.

Entender, eu entendi, mas sinceramente não gostei!

- página 12 -

sábado, 7 de Novembro de 2009

POEMAS

O RIO

Passas tão turbulento,
Quem te faz correr assim?
Será que alguém te espera,
Ou alguém te assustou?
Será que foi o vento,
Que de mau te empurrou?
Ou será que é de medo,
Que tu foges de mim?
Mas olhando para ti,
E para o teu furor,
Sou eu a ter pavor,
Só de imaginar,
De um dia poder cair
E não mais conseguir,
De ti me arrastar.
Continuas tão veloz,
Na tua grande corrente,
Fazendo girar as mós,
Alimentando tanta gente.

POEMAS

O MAR

Olhava fixamente
Para aquele mar imenso e vazio;
Olhava, mas não via,
Eram outras imagens
Que me inundavam a mente
E por elas sofria.
Passado,
Feliz quem o tem!
Ainda que chorado
É símbolo de vida
Mesmo que sofrida.
Mas aquele mar,
Que feitiço encerrava,
Que dom possuía,
Que tão bem me acalmava!
Eu sabia,
Quando assim me sentia,
Ia ao seu encontro
E até parecia
Que comigo falava.

O FILHO DA PRETA

O "Filho da Preta" já nas bancas.
Pode também encomendar para a Planeta Editora, Livraria Apolo 70, Bertrand. etc.

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

O FILHO DA PRETA - DISPONIBILIDADE

Segundo informações da Planeta Editora, o livro estará disponível nas livrarias e grandes superfícies no dia 9 de Outubro com o preço de 15€.
Quem não encontrar pode sempre fazer a sua encomenda para a Editora, Bertrand, Fnac ou Wook, bastando para isso inserir o nome do livro.

terça-feira, 28 de Julho de 2009

O FILHO DA PRETA

Já se encontra disponível para encomenda o livro "O Filho da Preta".
Trata-se duma obra editada pela Planeta Editora e já está à venda nos sites da própria editora, da Bertrand e da Wook pelo preço de lançamenton de 13.50 €, uma vez que o preço de capa será de 15.00€.
Sinopse do livro:
"O livro relata a luta pela sobrevivência de um filho mulato esquecido e rejeitado pelo pai. É um romance que faz recordar o cheiro de uma África nunca esquecida. É o livro de quem tem alma africana e que presta tributo aos seus irmãos, aos filhos abandonados em África. Desde a sanzala africana onde nasceu e viveu os primeiros anos de infância aos anos turbulentos da Guerra da Independência, corremos a vida de António, um médico reconhecido, numa luta de solidão até encontrar a família que o desejava e o julgava perdido."
Estou em crer que irão gostar e não deixem de comentar o que acharam.
Para encomedar:
Um abraço,
Quirimbo70

domingo, 7 de Junho de 2009

UM LIVRO PELA VIDA

Este será um dos poemas que farão parte do livro que em princípio terá o título "UM LIVRO PELA VIDA". Da minha parte está quase concluido, faltando apenas os testemunhos de algumas pessoas que já passaram pela experiencia de lutar pela vida. É para essas que dediquei este poema.

A LUTA

Se vieres pela calada
Pensando que não és notada
Eu vou lutar.
Tu és cruel, um mal ruim
Mas mesmo que leves um pouco de mim,
Eu vou lutar.
Ainda que chore e grite de dor
Que o espelho me diga que estou um horror,
Eu vou lutar.
Mesmo que veja o cabelo caindo
Sentir que as forças aos poucos vão indo,
Eu vou lutar.
Ainda que chore sobre a minha almofada
Sempre que acorde pela madrugada,
Eu vou lutar.
Mesmo escondida para ninguém me ver
Para não falar de todo o meu sofrer,
Eu vou lutar.
Lutarei por mim pela minha vida,
Lutarei por vós minha família querida
Sim lutarei, para me curar.



sábado, 23 de Maio de 2009

UM LIVRO PELA VIDA

 "UM LIVRO PELA VIDA" creio que assim vai ser o título do livro a favor da Liga Portuguesa contra o Cancro.
Para além de poemas e prosa poética, o livro vai ter também alguns "testemunhos" de pessoas que têm ou tiveram esta doença, relatando a sua incredulidade face à notícia, passando pelos tratamentos e algumas recomendações que nos fazem.
Vão ser contactadas também algumas entidades para subsidiarem esta edição que como já disse, todo o valor das receitas reverterá na totalidade para a "Liga".
Vou dando notícias sobre esta iniciativa.

terça-feira, 19 de Maio de 2009

UM DIA PELA VIDA

Estou neste momento empenhado em escrever poemas para um livro cuja receita reverterá inteirinha para o movimento "Um dia pela Vida".
A idéia surgiu-me depois de tomar conhecimento de diversas iniciativas que visam o angariamento de fundos para a continuação da pesquisa sobre uma eventual cura para o cancro. O livro não será muito grande, talvez com umas oitenta ou cem páginas e se os responsáveis do núcleo do movimento nesta região estiverem de acordo, o título será: "POEMAS PELA VIDA".
Espero que possa chegar ao público ainda durante o verão e que todos possamos participar nestas iniciativas, pois nunca sabemos se algum dia iremos ser beneficiados directamente.

sábado, 16 de Maio de 2009

RETALHOS DE UMA VIDA

Basicamente o livro "Retalhos de uma Vida" retrata a vida de um personagem que nasceu na zona do Amboim, assistiu à partida de todos os europeus e por conseguinte de muitos amigos da sua cidade.
Foi dos poucos afortunados que conseguiu estudar fora do seu país, numa tentativa do governo do MPLA formar os quadros de que tanto necessitava. Contrariamente ao que alguns fizeram, no final do seu curso retornou a Angola, mas não esperava que fosse taxado de traidor logo que pisou solo do país que não via há seis anos.
Assistimos a sua passagem pela sangrenta guerra civil e por fim o seu aproveitamento para aquilo que realmente sabia fazer: a carreira da diplomacia!
É um livro em forma de retalhos não sequenciais e por isso cada trecho é uma história ou um pensamento das suas aventuras e muitas desventuras.

sexta-feira, 15 de Maio de 2009

NOVO LIVRO NA EDITORA

Encontra-se já em fase bastante avançada, a edição de um terceiro livro com o título "O FILHO DA PRETA" a ser editado pela Planeta Editora.
Trata-se de um romance que descreve a demanda de um dos muitos filhos de europeus tidos com negras e nunca chegaram a ser reconhecidos. Creio que irá ser bem recebido por todos especialmente por aqueles que nasceram ou viveram em África, pois trata-se de algo bem real e actual.
Ainda não sei o mês certo da sua saída para as bancas, mas prometo que irei dando notícias tão logo estejam disponíveis.

quinta-feira, 14 de Maio de 2009

LANÇAMENTO DE LIVROS

Lancei no passado dia 13 de Maio no auditório da Biblioteca de Castelo Branco, dois livros.
Um de poemas com o título de "Poemas do Quirimbo 70" e outro de memórias em retalhos e por isso com o título "Retalhos de uma vida".
O primeiro tem um custo no mercado de 12.50 €, enquanto o segundo custa 20.00€.
Ainda tenho alguns livros disponíveis que cresceram do lançamento e vão continuar em minha posse por algum tempo. Assim se alguém quiser adquirir algum destes livros é só mandar-me um e-maile com a respectiva morada.
Estarei sempre disponível para responder a todos os e-mailes ou questões que me queiram colocar.